sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Um Ajudante Inesperado

Para quem já visitou ou pensa visitar, Londres é aquele local místico que nos inspira e nos faz suspirar. É como se de cada vez que a visitamos fosse a primeira vez. 

Desde o metro aos autocarros de dois andares, do Big Ben ao London Eye, da Madame Taussauds a Greenwich, Londres está carregada de misticismo nas temáticas britânicas que nos acompanham durante a nossa infância. Visitar Londres é como entrar num daqueles sonhos onde já conhecemos as personagens há muito tempo mas não sabemos bem de onde.

Uma dica muito útil para conhecer a cidade sem ter que gastar as poucas libras que levamos na carteira é utilizarmos os autocarros de dois andares fora de horário de ponta. Quando há menos movimento e se tivermos a oportunidade de ocupar os dois lugares da frente do primeiro andar podemos disfrutar da vista enquanto o veículo percorre o seu percurso normal.

Certa vez, ao apreciarmos a noite londrina desta forma, tivemos a sorte de ocupar os dois ditos lugares. De mapa na mão, íamos aproveitando para nos situarmos e ao mesmo tempo apreciar a vista panorâmica. O autocarro ia praticamente vazio, mas eis que passado algumas voltas aparece um jovem ao pé de nós e pergunta (Em português): Precisam de ajuda? Estão perdidos? Ao que agradecemos e respondemos que não, e que estávamos só a apreciar a vista e que fazíamos daquela forma para poupar algumas libras.

Às vezes ajuda surge de onde menos se espera portanto ajudemo-nos uns aos outros, que a vida retribui o que lhe dermos.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Três furos

 

Viver em comunidade implica cumprir certas regras de convivência entre indivíduos. Ainda mais quando se trata de um prédio com algumas dezenas de condóminos. O facto é que todos têm direito ao seu descanso e fazer ruídos que perturbem o bem-estar fora das horas úteis é um mau princípio no que toca a viver em comunidade. 

Certa vez tive de efetuar obras no meu apartamento. A instalação era antiga e estava em risco de começar a verter, então decidimos avançar para as necessárias remodelações. Estavam previstas durar cerca de uma semana mas como em tudo, há imprevistos e ficou uma pequena parte para um sábado há tarde. 

Após uma semana de intensos batuques e marteladas, sobraram três furos. Era o único ruído previsto para esse dia. Eis que, após começar a terceira furadela ouço a campainha tocar. Era o vizinho do andar de cima a avisa-me que não era dia de obras e que assim não dava para descansar. 

Pela primeira vez na vida fui chamado à atenção por causa de três furos.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Sintra, finalmente.

Terminada mais uma importante fase de formação na minha carreira profissional, era tempo de avançar para o terreno (vulgo estágio ou on job training). O lugar era novo, o ambiente totalmente administrativo, fora do que estava habituado. Até aqui toda a minha experiência tinha sido em ambientes menos urbanos. Foi difícil a habituação, mas com o tempo lá consegui aprender a ultrapassar as adversidades do trabalho em open space.

O facto é que o meu lado menos cosmopolita sempre falou mais alto e desde sempre manifestei interesse em trocar para um meio mais longe da capital. Uma vez que a minha profissão assim o permitia apressei-me a pedir transferência para a outra margem do rio Tejo. Mas não havia vaga e era necessário aguardar a minha vez. Dois meses transformaram-se em dois anos e dois anos quase em oito.

Por ironia do destino, a vida levou a que me viesse a radicar na região saloia. Gostei tanto da experiência que me apressei a trocar o meu pedido para a outra banda pela de cá, desta vez mais perto do oceano. A espera foi mais curta, mas os dias pareciam não querer passar. Mas eis que um dia o telefone toca, o meu pedido tinha sido aceite.

Sintra, finalmente!

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Já tentei apanhar o Sol

 Já tentei apanhar o sol.

Ele escapou-me por entre os dedos.

Ficou apenas o seu olhar.

Nunca contou os seus segredos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Pegadas de Elefante

    Tinha acabado de mudar de casa. Os rasgos de felicidade e realização misturavam-se com a ansiedade própria deste momento de conquista de independência, que hoje poucos conseguem antes dos trinta. Uma casa com boa vizinhança, numa rua sem ruído, com uma padaria e um café à porta. Tinha tudo para dar certo.

     O andar de cima estava à venda, e como é normal, a curiosidade por saber quem seriam os novos vizinhos ia-se adensando a cada batida e a cada rodar de chave. Quem serão? Serão novos? Serão velhos? Com filhos? Quanto mais dúvidas, maiores as incertezas.

    Acabámos por nos deparar com um casal nos seus vinte e poucos, sem filhos e com aparente estabilidade financeira. Sorte – pensei eu - os astros estavam alinhados.

    E estavam, à exceção de um pormenor. O bendito moço de físico possante andava com os calcanhares e a cada passada (e que não eram poucas) fazia vibrar o teto, como se de um pequeno tremor de terra se tratasse, correndo o risco de fazer despertar qualquer rafeiro que por ali se encontrasse a dormitar.

                É caso para dizer: Tinha pegadas de elefante.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Conviver é o melhor remédio.

    Tendo pertencido a vários grupos quer pessoais quer profissionais ou académicos, uma constante que vem fazendo parte da minha vida são os convívios. Turmas da escola, grupos dentro da própria turma, jantares de emprego e dos grupos de amigos dentro do próprio serviço são alguns dos exemplos. Isto excluindo os jantares de família e de amigos.

    Claro que todo este salutar convívio tem sempre uma fatura associada, e não é só a nível financeiro. Há sempre aquele colega presente com quem não simpatizamos muito, ou aquela colega que decide presentear-nos com a história de vida da prima da vizinha que engravidou sem saber como. Ou ainda aquele colega festeiro que nunca acabou o primeiro ano da licenciatura e se esquece que já passaram 15 anos. Faz parte da vida e nem tudo são rosas, mas os ganhos superam, e em muito,  os custos.

    E já que falamos nisso, porque não organizamos um jantarzinho para pôr a conversa em dia?     

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Um Sonho à Beira-Mar

     Desde muito novo que sempre tive um sonho: Morar à beira-mar. Seja por causa das férias de verão passadas na praia com a família ou por causa das viagens com os amigos, foi um desejo que sempre me acompanhou. 

    A primeira vez que passei férias só com amigos  foi precisamente quando fiz quinze anos. Nesta altura já eu estava habituado a estar longe dos meus pais pois desde os 11 anos que estudava a mais de 100 quilómetros de casa. O mesmo não se passava com eles mas a coisa deu-se e fomos passar uma semana de férias pasme-se...ao parque de campismo de São Pedro de Moel (Muitas histórias tinha para contar...).

    Os anos foram passando e já na casa dos 30 lá consegui arrendar um pequeno T-1   junto à Marginal durante 6 meses, que mais pareceram 6 meses de férias naquele pequeno cubículo de 40 metros quadrados a 5 minutos a pé da praia. Mas a renda era insuportável e tivemos que mudar.

Ou seja, ainda que por pouco tempo, consegui cumprir o meu sonho de criança de viver à beira-mar...

A Vida em Paredes da Serra

 A Vida em Paredes da Serra  A Vida na Vila Na pequena vila de Paredes da Serra, viviam Ti Lepondina e Ti Estina, duas mulhariças conhecidas...