domingo, 26 de fevereiro de 2023

Sintra, finalmente.

Terminada mais uma importante fase de formação na minha carreira profissional, era tempo de avançar para o terreno (vulgo estágio ou on job training). O lugar era novo, o ambiente totalmente administrativo, fora do que estava habituado. Até aqui toda a minha experiência tinha sido em ambientes menos urbanos. Foi difícil a habituação, mas com o tempo lá consegui aprender a ultrapassar as adversidades do trabalho em open space.

O facto é que o meu lado menos cosmopolita sempre falou mais alto e desde sempre manifestei interesse em trocar para um meio mais longe da capital. Uma vez que a minha profissão assim o permitia apressei-me a pedir transferência para a outra margem do rio Tejo. Mas não havia vaga e era necessário aguardar a minha vez. Dois meses transformaram-se em dois anos e dois anos quase em oito.

Por ironia do destino, a vida levou a que me viesse a radicar na região saloia. Gostei tanto da experiência que me apressei a trocar o meu pedido para a outra banda pela de cá, desta vez mais perto do oceano. A espera foi mais curta, mas os dias pareciam não querer passar. Mas eis que um dia o telefone toca, o meu pedido tinha sido aceite.

Sintra, finalmente!

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Já tentei apanhar o Sol

 Já tentei apanhar o sol.

Ele escapou-me por entre os dedos.

Ficou apenas o seu olhar.

Nunca contou os seus segredos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Pegadas de Elefante

    Tinha acabado de mudar de casa. Os rasgos de felicidade e realização misturavam-se com a ansiedade própria deste momento de conquista de independência, que hoje poucos conseguem antes dos trinta. Uma casa com boa vizinhança, numa rua sem ruído, com uma padaria e um café à porta. Tinha tudo para dar certo.

     O andar de cima estava à venda, e como é normal, a curiosidade por saber quem seriam os novos vizinhos ia-se adensando a cada batida e a cada rodar de chave. Quem serão? Serão novos? Serão velhos? Com filhos? Quanto mais dúvidas, maiores as incertezas.

    Acabámos por nos deparar com um casal nos seus vinte e poucos, sem filhos e com aparente estabilidade financeira. Sorte – pensei eu - os astros estavam alinhados.

    E estavam, à exceção de um pormenor. O bendito moço de físico possante andava com os calcanhares e a cada passada (e que não eram poucas) fazia vibrar o teto, como se de um pequeno tremor de terra se tratasse, correndo o risco de fazer despertar qualquer rafeiro que por ali se encontrasse a dormitar.

                É caso para dizer: Tinha pegadas de elefante.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Conviver é o melhor remédio.

    Tendo pertencido a vários grupos quer pessoais quer profissionais ou académicos, uma constante que vem fazendo parte da minha vida são os convívios. Turmas da escola, grupos dentro da própria turma, jantares de emprego e dos grupos de amigos dentro do próprio serviço são alguns dos exemplos. Isto excluindo os jantares de família e de amigos.

    Claro que todo este salutar convívio tem sempre uma fatura associada, e não é só a nível financeiro. Há sempre aquele colega presente com quem não simpatizamos muito, ou aquela colega que decide presentear-nos com a história de vida da prima da vizinha que engravidou sem saber como. Ou ainda aquele colega festeiro que nunca acabou o primeiro ano da licenciatura e se esquece que já passaram 15 anos. Faz parte da vida e nem tudo são rosas, mas os ganhos superam, e em muito,  os custos.

    E já que falamos nisso, porque não organizamos um jantarzinho para pôr a conversa em dia?     

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Um Sonho à Beira-Mar

     Desde muito novo que sempre tive um sonho: Morar à beira-mar. Seja por causa das férias de verão passadas na praia com a família ou por causa das viagens com os amigos, foi um desejo que sempre me acompanhou. 

    A primeira vez que passei férias só com amigos  foi precisamente quando fiz quinze anos. Nesta altura já eu estava habituado a estar longe dos meus pais pois desde os 11 anos que estudava a mais de 100 quilómetros de casa. O mesmo não se passava com eles mas a coisa deu-se e fomos passar uma semana de férias pasme-se...ao parque de campismo de São Pedro de Moel (Muitas histórias tinha para contar...).

    Os anos foram passando e já na casa dos 30 lá consegui arrendar um pequeno T-1   junto à Marginal durante 6 meses, que mais pareceram 6 meses de férias naquele pequeno cubículo de 40 metros quadrados a 5 minutos a pé da praia. Mas a renda era insuportável e tivemos que mudar.

Ou seja, ainda que por pouco tempo, consegui cumprir o meu sonho de criança de viver à beira-mar...

sábado, 4 de fevereiro de 2023

A Minha Avó

     A minha Avó já faleceu faz uns anos. Hoje, num dia especialmente solarengo lembrei o quão delicioso era chegar a casa dela. Sempre com um grande sorriso e no cimo da ladeira lá estava ela de braços abertos para nos receber. Quer fosse o cheiro a pão acabadinho de cozer ou o aroma dos eucaliptos do pinhal que fica por detrás da casa dela, era maravilhoso de cada vez que subíamos aquela ladeira. Quase não custava nada.

    As férias do verão e do natal eram passadas na casa da minha avó, em família. No verão eu e o meu melhor amigo corríamos pelos pinhais, levávamos as ovelhas a pastar, íamos buscar leite acabado de de tirar da vaca e enchíamos a barriga de fruta que apanhávamos nas árvores. Fui um privilegiado .Foram com certeza dos anos mais felizes da minha vida.

Como era bom que a minha avó ainda cá estivesse.

 

A Vida em Paredes da Serra

 A Vida em Paredes da Serra  A Vida na Vila Na pequena vila de Paredes da Serra, viviam Ti Lepondina e Ti Estina, duas mulhariças conhecidas...