Tinha acabado de mudar de casa. Os rasgos de felicidade e realização misturavam-se com a ansiedade própria deste momento de conquista de independência, que hoje poucos conseguem antes dos trinta. Uma casa com boa vizinhança, numa rua sem ruído, com uma padaria e um café à porta. Tinha tudo para dar certo.
O andar de cima estava à venda, e como é normal, a curiosidade por saber quem seriam os novos vizinhos ia-se adensando a cada batida e a cada rodar de chave. Quem serão? Serão novos? Serão velhos? Com filhos? Quanto mais dúvidas, maiores as incertezas.
Acabámos por nos deparar com um casal nos seus vinte e poucos, sem filhos e com aparente estabilidade financeira. Sorte – pensei eu - os astros estavam alinhados.
E estavam, à exceção de um pormenor. O bendito moço de físico possante andava com os calcanhares e a cada passada (e que não eram poucas) fazia vibrar o teto, como se de um pequeno tremor de terra se tratasse, correndo o risco de fazer despertar qualquer rafeiro que por ali se encontrasse a dormitar.
É caso para dizer: Tinha pegadas de elefante.
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