terça-feira, 12 de março de 2024

Coimbra, Cidade de (des) Encantos

Esta história começa nos meus quinze ou dezasseis anos. Era a primeira vez que ia passar férias “sozinho” e como a carteira não pesava eu e mais dois amigos decidimos inscrever-nos em um campo de férias. 
 
O local era na zona centro e consistia em oito dias com diversas atividades lúdicas e desportivas, onde estariam jovens de todo o país, sendo essas atividades repartidas entre diversas praias.

Eis que, nessa semana de intenso contacto entre jovens a meio da puberdade e com as hormonas a sair pelos poros da pele, conheço uma simpática rapariga natural de Coimbra. Ela era morena e esbelta, tinha cabelos castanhos compridos, olhos também castanhos e nunca parava de sorrir de cada vez que estava perto de mim. Diga-se de passagem que foi a minha primeira grande paixão. Ainda a visitei uma vez, mas como tudo o que começa tem de ter um fim, assim foi. Depois de duas intensas semanas, outras duas se seguiram a “digerir” o final. Coimbra dava-me o primeiro dissabor.

Já no secundário, nos meus dezassete ou dezoito anos, e recuperado de mais um ou dois desgostos de liceu, começo a namoriscar uma bela moça. Inteligente, bonita, simpática e com uma paixão em comum: A Música. 
 
Mas esta paixão iria revelar-se mais um desengano. Ironia do destino ou não, no final do ano letivo fiquei a saber que ela foi aceite em Coimbra. Com a minha ida para a capital prestar serviço militar, a distância não trouxe nada de bom e ao fim de algum tempo a relação chegava ao fim. A Cidade dos Estudantes voltava a fazer das suas.

Coimbra tem sido para mim uma cidade de encantos e desencantos, mas mesmo assim não perco a oportunidade de a visitar de cada vez que por lá passo e admirar a sua beleza, aproveitando para recordar o que aprendi e relembrar o que ainda me falta aprender.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Um Ajudante Inesperado

Para quem já visitou ou pensa visitar, Londres é aquele local místico que nos inspira e nos faz suspirar. É como se de cada vez que a visitamos fosse a primeira vez. 

Desde o metro aos autocarros de dois andares, do Big Ben ao London Eye, da Madame Taussauds a Greenwich, Londres está carregada de misticismo nas temáticas britânicas que nos acompanham durante a nossa infância. Visitar Londres é como entrar num daqueles sonhos onde já conhecemos as personagens há muito tempo mas não sabemos bem de onde.

Uma dica muito útil para conhecer a cidade sem ter que gastar as poucas libras que levamos na carteira é utilizarmos os autocarros de dois andares fora de horário de ponta. Quando há menos movimento e se tivermos a oportunidade de ocupar os dois lugares da frente do primeiro andar podemos disfrutar da vista enquanto o veículo percorre o seu percurso normal.

Certa vez, ao apreciarmos a noite londrina desta forma, tivemos a sorte de ocupar os dois ditos lugares. De mapa na mão, íamos aproveitando para nos situarmos e ao mesmo tempo apreciar a vista panorâmica. O autocarro ia praticamente vazio, mas eis que passado algumas voltas aparece um jovem ao pé de nós e pergunta (Em português): Precisam de ajuda? Estão perdidos? Ao que agradecemos e respondemos que não, e que estávamos só a apreciar a vista e que fazíamos daquela forma para poupar algumas libras.

Às vezes ajuda surge de onde menos se espera portanto ajudemo-nos uns aos outros, que a vida retribui o que lhe dermos.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Três furos

 

Viver em comunidade implica cumprir certas regras de convivência entre indivíduos. Ainda mais quando se trata de um prédio com algumas dezenas de condóminos. O facto é que todos têm direito ao seu descanso e fazer ruídos que perturbem o bem-estar fora das horas úteis é um mau princípio no que toca a viver em comunidade. 

Certa vez tive de efetuar obras no meu apartamento. A instalação era antiga e estava em risco de começar a verter, então decidimos avançar para as necessárias remodelações. Estavam previstas durar cerca de uma semana mas como em tudo, há imprevistos e ficou uma pequena parte para um sábado há tarde. 

Após uma semana de intensos batuques e marteladas, sobraram três furos. Era o único ruído previsto para esse dia. Eis que, após começar a terceira furadela ouço a campainha tocar. Era o vizinho do andar de cima a avisa-me que não era dia de obras e que assim não dava para descansar. 

Pela primeira vez na vida fui chamado à atenção por causa de três furos.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Sintra, finalmente.

Terminada mais uma importante fase de formação na minha carreira profissional, era tempo de avançar para o terreno (vulgo estágio ou on job training). O lugar era novo, o ambiente totalmente administrativo, fora do que estava habituado. Até aqui toda a minha experiência tinha sido em ambientes menos urbanos. Foi difícil a habituação, mas com o tempo lá consegui aprender a ultrapassar as adversidades do trabalho em open space.

O facto é que o meu lado menos cosmopolita sempre falou mais alto e desde sempre manifestei interesse em trocar para um meio mais longe da capital. Uma vez que a minha profissão assim o permitia apressei-me a pedir transferência para a outra margem do rio Tejo. Mas não havia vaga e era necessário aguardar a minha vez. Dois meses transformaram-se em dois anos e dois anos quase em oito.

Por ironia do destino, a vida levou a que me viesse a radicar na região saloia. Gostei tanto da experiência que me apressei a trocar o meu pedido para a outra banda pela de cá, desta vez mais perto do oceano. A espera foi mais curta, mas os dias pareciam não querer passar. Mas eis que um dia o telefone toca, o meu pedido tinha sido aceite.

Sintra, finalmente!

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Já tentei apanhar o Sol

 Já tentei apanhar o sol.

Ele escapou-me por entre os dedos.

Ficou apenas o seu olhar.

Nunca contou os seus segredos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Pegadas de Elefante

    Tinha acabado de mudar de casa. Os rasgos de felicidade e realização misturavam-se com a ansiedade própria deste momento de conquista de independência, que hoje poucos conseguem antes dos trinta. Uma casa com boa vizinhança, numa rua sem ruído, com uma padaria e um café à porta. Tinha tudo para dar certo.

     O andar de cima estava à venda, e como é normal, a curiosidade por saber quem seriam os novos vizinhos ia-se adensando a cada batida e a cada rodar de chave. Quem serão? Serão novos? Serão velhos? Com filhos? Quanto mais dúvidas, maiores as incertezas.

    Acabámos por nos deparar com um casal nos seus vinte e poucos, sem filhos e com aparente estabilidade financeira. Sorte – pensei eu - os astros estavam alinhados.

    E estavam, à exceção de um pormenor. O bendito moço de físico possante andava com os calcanhares e a cada passada (e que não eram poucas) fazia vibrar o teto, como se de um pequeno tremor de terra se tratasse, correndo o risco de fazer despertar qualquer rafeiro que por ali se encontrasse a dormitar.

                É caso para dizer: Tinha pegadas de elefante.

A Vida em Paredes da Serra

 A Vida em Paredes da Serra  A Vida na Vila Na pequena vila de Paredes da Serra, viviam Ti Lepondina e Ti Estina, duas mulhariças conhecidas...